04 setembro 2014

O CAMINHO DO MEIO


                                            PARA REFLETIR:

                                        O CAMINHO DO MEIO

               Certa vez, um monge meditava num bosque, quando seu mestre aproximou-se dele. O monge procurava atingir a iluminação do espírito, mas estava com dificuldades e sentia-se desnorteado. Perguntou, então ao mestre:
               _ Mestre, o que faço para atingir a iluminação? Tenho exercitado muito, mais até que qualquer outros discípulos; penso em voltar para casa, pois tenho bens que podem dar-me uma vida folgada, já que não consigo ma realizar. Não é melhor que eu abandone este caminho e volte ao mundo?
               Mas o mestre retrucou:
               _Você não era um exímio violinista antes de ser monge?
               _ Sim, sempre tive facilidade com esse instrumento musical.
               _E quando as cordas do violino estão duras, produzem som bom?
               _Não mestre!
               _E se as cordas estiverem soltas, o som é bom?
               _Não mestre!
               _ E o que se faz para o som ficar bom?
               _Ora, as cordas não podem estar nem duras e nem soltas demais!
               O monge não estava entendendo as perguntas do mestre, que acrescentou:
               _Meu filho, assim é a vida: preguiça traz negligência e aplicação demais traz inquietação à mente. Entre esse dois extremos existe o caminho do meio. Siga por ele, e encontrará a iluminação que deseja!
     
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                 NEM TUDO AO CÉU, NEM TUDO AO MAR.
                 NEM OITO, NEM OITENTA.
                      
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03 setembro 2014

OS CAVALINHOS DE PLATIPLANTO


Mais uma colaboração de Veridiana Sganzela Santos:


Os cavalinhos de Platiplanto

Cavalos. Pra mim, sinônimo de beleza, postura, inteligência, amabilidade. Estudando a espiritualidade dos animais, aprendi que os cavalos (ao lado dos cães e gatos) são companheiros que entendem seus tutores, são sensitivos e mantêm uma ligação de amor e de alma com quem os cria com respeito, carinho e liberdade. Liberdade. Tá aí algo que muitos cavalos, apesar de inspirá-la, nunca conhecerão em vida.
Há mais ou menos uma semana, Gaúcho, aquele cavalinho que foi resgatado, muito fraco, que nem podia manter-se em pé, não resistiu às sequelas dos maus tratos. Os apaixonados por animais que ajudaram no resgate ou que acompanharam o caso lastimaram a morte de Gaúcho, mas meu consolo foi saber qu
e, mesmo no final da vida, ele chegou a conhecer um pouco da bondade humana. E aí, não tem como eu não me perguntar: por que um sujeito quer ter um cavalo? Unicamente para fazê-lo trabalhar? Será que nessas alturas do século, ainda tem gente que enxerga o cavalo apenas como força de trabalho? E trabalho duro, levando chicotadas, sendo deixado ao sol, tomando água só quando o dono quer (ou se lembra de dar). E depois, quando o bicho fica muito velhinho, ainda corre o risco de virar carne seca.
É para isso que alguns seres humanos querem um cavalo? Para exauri-lo e vê-lo definhar? Triste mundo real. É por isso que às vezes eu prefiro me enfiar num livro e embarcar na fantasia de alguns autores. Neste caso, no belo conto dos cavalinhos de Platiplanto, de José J. Veiga, onde esses lindos animais são felizes e podem brincar à vontade.
Em seu livro de estreia, Veiga parece falar às crianças, mas seus contos têm muitas mensagens para nós, adultos chatos que não sabem mais fa
ntasiar. O amor inocente pelos animais é uma dessas mensagens. Aqui um adulto conta sobre uma passagem de sua infância, vivida numa fazenda. Certa vez, ele feriu o pé ,brincando e não queria deixar ninguém mexer no machucado. Aí seu avô Rubem, em quem o garoto confiava muito, disse que se ele deixasse o farmacêutico fazer o curativo, ele ganharia uma bonita roupa para brincar a Folia de Reis, e também teria um cavalinho. Depois dessa “negociação” o garoto topou. E ficou pensando em seu cavalinho todos os dias, na maior ansiedade. Queria muito brincar com ele. Um dia, vem a notícia de que seu avô e grande amigo ficara muito doente. Tão doente, que nem deixaram que o menino o visitasse. E aí o sonho de ter seu cavalinho foi ficando distante.
Um de seus tios comprou a fazenda do avô e avisou que dali não sairia nenhum cavalo. Muito chateado, o menino foi andar, e andando foi parar numa outra fazenda. Lá ajudou um homem a terminar uma ponte e ouviu um menino tocar um bandolim, que parecia mágico. Também conheceu um senhor a quem todos chamavam de major, e o major lhe mostrou os lindos cavalinhos que viviam ali. Cavalinhos pequenos, cada um de uma cor, que saltavam, brincavam, divertiam-se tomando banho e dançavam. O menino ficou encantado ao saber que todos os cavalinhos seriam dele, desde que eles não saíssem de lá. Os cavalinhos deviam ficar ali, em Platiplanto. E aí, o menino despertou. E nunca contou isso a ninguém, com receio de ser ridicularizado. Mas agora, ele teria seus cavalinhos, lá, guardadinhos em Platiplanto. E os visitava com o pensamento.
E assim como o menino, sei que há inúmeros cavalinhos brincando e divertindo-se na água, talvez não em Platiplanto, mas num céu para os animais, onde a maldade e a mesquinhez humanas não entram. Mas lá entrou seu mais recente morador: Gaúcho.  

13 de fevereiro de 2014


eridiana Sganzela Santos, jornalista, estudante de Letras e membro da Apeg (Associação de Poetas e Escritores de Garça)

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Essa história parece saída de outra, bem antiga, muito recontada, e com uma mensagem implícita: OS MÚSICOS DE BREMEN, onde os animais, depois de velhos, são abandonados à própria sorte, ou sacrificados, como foi o caso do galo, que iria para a panela. O burro seria vendido no açougue. O gato e o cachorro morreriam pelos caminhos. Conta-se, que na época em foi escrita essa história, as pessoas idosas não teriam sorte melhor. A situação era semelhante, e o autor escreveu essa fábula, criticando costume.

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02 setembro 2014

O REI E O ADIVINHO DA CORTE



                                           O REI E O ADIVINHO DA CORTE
          Sabe-se, que os reis e pessoas de muito prestígio, tem o costume de consultar astrólogos, sentindo-se, desta forma mais seguros de seu poder. Dizem um rei da França,não foi diferente. Gostava de ter sempre um astrólogo a sua disposição.
          Mas certo dia, cismou que o astrólogo mentia nas suas previsões, e estava disposto a condená-lo à morte por isso. 
         Chamou o astrólogo a sua presença e perguntou-lhe:
         _ Você pode prever a sua morte? Quero que você faça a previsão de sua morte; se errar, será condenado a morrer da pior forma possível!
         O astrólogo não hesitou na resposta e, solenemente, disse ao rei:
         _ Morrerei exatamente três dias antes de Vossa Majestade!
         Assustado e crente nas previsões, o rei não matou o astrólogo.

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31 agosto 2014

RELEMBRANDO...


                                   RELEMBRANDO O MÊS DE AGOSTO

      Nunca é demais falar de boas lembranças. No mês que passou recebemos na nossa sala de contos, na Biblioteca Municipal, crianças e professores da Creche dona Maria Leonor, Emei Cláudia Aronne, Emef. Prof. Orane Avelino de Souza, Emef Prof. Nelly Carbonieri de Andrade, pacientes do CAPS (centro de apoio psico-social), além de duas apresentações da Viagem Literária, no saguão da Biblioteca, com a participação de 400 crianças da rede pública, numa maravilhosa e animada contação de histórias.
      Não podemos nos esquecer da Noite de Contos, em comemoração do 18º aniversário do Grupo Pirlimpimpim Contadores de Histórias.
      Para encerrar o mês, lá vem história para vocês!

      No cinema da cidade estava em cartaz, um famoso filme: Romeu e Julieta. Uma senhora chegou até a bilheteria e pediu:
      _Quero dois ingressos.
      O bilheteiro, muito distraído, perguntou:
      _Para Romeu e Julieta?
      _Não, para mim e para o meu marido!

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     Bem, pode rir, se quiser! 
     
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                        O SUAVE AROMA DO CAMPO

          Certa vez, um discípulo perguntou ao mestre:
          _Mestre, qual é o significado do ZEN?
          O mestre, calmamente respondeu:
          _ O ZEN não esconde nada de você.
          _Não estou entendendo, mestre.
          O mestre tomou o discípulo pela mão e seguiu caminhando para o campo, e perguntou:
          _Sente o aroma suave do campo? 
          _Sim!
          Então o mestre completou:
          _Aproveite este momento, todos os detalhes, não deixe escapar nada. Todas as tardes são de primavera e todos os dias são bons.

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           Quando contamos histórias, muitas vezes nos deparamos com textos que nos pedem reflexão, como esse acima. Às vezes, não chegamos a uma conclusão.



28 agosto 2014

MAIS UMA FÁBULA



                       MAIS UMA FÁBULA, porque elas são realmente encantadoras e nos fazem refletir situações da vida.

                                           O gato e a raposa

          Um gato e uma raposa conversavam sobre as dificuldades de viverem em paz, num mundo cheio de perigos, com criaturas sempre em disputas e guerras, matando e morrendo.
          A raposa, muito presunçosa, disse:
          _Eu não me incomodo muito, não, porque tenho mais de cem truques para fugir de meus inimigos, antes que eles possam me atingir, por mais difícil que seja a situação.
         _ Você é um animal de sorte! Eu, um simples gato, tenho apenas um meio de escapar de um inimigo, caso ele ataque. É meu meio seguro de fugir, e se ele falhar, estarei perdido.
         _ Pobre gato! Nestes tempos difíceis, se eu puder perceber quem é inimigo, posso lhe ensinar alguns de meus truques.
         De repente, surgindo de entre as árvores, apareceram dezenas de cães ferozes, latindo furiosamente, perseguindo o gato e a raposa, que correram o mais rápido possível, para salvar a própria pele.
         O gato valeu-se de seu único truque, e subiu, desesperado numa árvore do caminho. Na segurança dos galhos mais altos assistiu à desgraça da raposa presunçosa.
          Ela, incapaz de decidir qual truque seria mais conveniente, entre as dezenas que sabia para fugir, foi rapidamente alcançada pelos cães, e estraçalhada por eles.

        Moral da história: O ORGULHO PRECEDE A QUEDA.

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         Nossa recomendação: quando contamos uma história não costumamos enunciar a moral da mesma, deixando que os ouvintes cheguem à conclusão da mesma. 

26 agosto 2014

O TOURO E O MOSQUITO



                                         O TOURO E O MOSQUITO- 
                                                                                       Esopo

                 Um touro pastava calmamente, quando um mosquito passou a zumbir em torno de sua cabeça. 
                 Depois de muito esvoaçar e se agitar, o inseto resolveu pousar num dos chifres do touro.
                 Certo que poderia estar incomodando o touro, o mosquito perguntou-lhe:
                 _O meu peso o incomoda? Caso isso aconteça avise-me que eu saio imediatamente!
                 Mas o touro respondeu:
                 _Ora, não fique preocupado! Nem percebi que você estava aí. Se você ficar ou partir, para mim é a mesma coisa.
                  E o  touro continuou pastando...

                 Moral da história: quanto menor a mente, maior a presunção.
  
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25 agosto 2014

HUMILDADE

          Mais um texto de nossa colaboradora Veridiana, desta vez homenageando a grande poetisa cora Coralina:



Humildade
(pelos 125 anos de nascimento de Cora Coralina)
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Acho que já devo ter mencionado algumas vezes aqui, que sinto inveja de alguns escritores, pela sua liberdade de falar o que pensam, sem muitos pudores, arcando com as consequências com elegância e bom humor. Invejo Drummond, Machado, Millôr, Mário Prata, Quintana, Mark Twain, e mais recentemente passei a invejar Cora Coralina. Invejar e ao mesmo tempo nutrir uma certa esperança quanto à minha existência (literária ou não). Acho que os escritores - amadores ou profissionais - de hoje, preocupam-se em ascender rápido, serem best-sellers antes dos 40 anos. Por que a pressa, se a sabedoria só vem mesmo com o tempo?
E Cora Coralina é uma prova disso, tendo publicado seu primeiro livro, quando já tinha seus 76 outonos. Levou a vida de modo agreste, mas doce ao mesmo tempo. É a tal sabedoria que tanto invejo. Muitos de nós estudamos em boas universidades, frequentamos aulas de inglês, sabemos lidar com informática, viajamos, mas o saber da vida mesmo, esse não vem junto com todos os outros bens.
Imaginem uma mulher simples, que viveu distante das grandes cidades, doceira, ignorante sobre as modernidades e as regras gramaticais. Mas ela via beleza na modéstia, nas pedras das antigas ruelas de Goiás, na batalha pela vida depois que enviuvou e migrou de cidade em cidade, no interior paulista: Penápolis, Andradina, Garça... E foi transformando-se e perdendo cada vez mais o medo da vida. Essa mesma mulher simplória, que passaria despercebida pela gente na rua, é uma poetisa única que deixou lições de vida, como a humildade. Bem, o exercício da humildade é algo meio sacrificante, em tempos em que nomes, títulos, cargos e fama (instantânea) são a ordem do dia. Mas ela garante que essa era a fórmula do bem viver. Escolhi o poema Humildade para (tentar) resumir essa bênção em nossa literatura.
"Senhor, fazei com que eu aceite minha pobreza tal como sempre foi / Que não sinta o que não tenho / Não lamente o que podia ter e se perdeu por caminhos errados e nunca mais voltou. / Dai, Senhor, que minha humildade seja como a chuva desejada caindo mansa, longa noite escura numa terra sedenta e num telhado velho. / Que eu possa agradecer a Vós, minha cama estreita, minhas coisinhas pobres, minha casa de chão, pedras e tábuas remontadas. / E ter sempre um feixe de lenha debaixo do meu fogão de taipa, e acender, eu mesma, o fogo alegre da minha casa na manhã de um novo dia que começa."
Essa espécie de oração, quase franciscana, é praticamente um tapa na cara de todos nós, modernos, vaidosos e com medo de envelhecer. Quando na verdade, o medo que devemos ter é o de permanecermos para sempre jovens. Por que a juventude é como um belo doce de vitrine: atraente, mas quase sem gosto, aquele gostinho que desperta sensações. Que o diga a doce Cora.

"Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende" - Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas / Cora Coralina (1889 – 1985)

21 de agosto de 2014

Veridiana Sganzela Santos, jornalista, estudante de Letras e membro da Apeg (Associação de Poetas e Escritores de Garça)