09 outubro 2014


                                       TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

                  Um leão dormia sossegadamente, quando foi acordado por um ratinho, que distraído, passou correndo pelo seu nariz. Rapidamente o leão saltou e segurou o ratinho entre suas garras, disposto a devorá-lo. Mas o ratinho suplicou:
                   _Poupe minha vida, meu senhor! Tenho certeza que algum dia poderei retribuir sua bondade!
                   O leão deu uma gargalhada de desprezo e soltou o ratinho.
                   Dias depois, o leão andava calmamente pela floresta, quando foi apanhado numa rede, ali deixada por caçadores, que logo o amarraram com fortes cordas. O leão urrou muito, mas nada pode fazer para soltar-se. 
                   Mas o ratinho ouviu seus urros e chegou até onde o leão estava prisioneiro. Com persistência começou a roer as cordas que prendiam o leão e o libertou, dizendo:
                   _O senhor achou que eu jamais poderia ajudá-lo, e veja só como pude retribuir a sua bondade, numa situação tão difícil. Agora estamos quites!

07 outubro 2014

HISTÓRIAS QUE GOSTAMOS DE CONTAR



                                   HISTÓRIAS QUE GOSTAMOS DE CONTAR:

            Quando recebemos a planilha do mês, indicando as classes agendadas para as sessões de contos, já ficamos pensando quais serão as histórias mais indicadas, para cada faixa etária. Normalmente temos um repertório diversificado, mas, às vezes gostamos tanto de uma história, que ela torna-se um coringa nas contações. Uma história que tem sido muito repetida é a do Gato e do Papagaio. Ela pode ser encontrada no Livro das Virtudes, que contém centenas de boas histórias para todos os gostos e idades. Marisa é especialista em contá-la.  As crianças, e as não tão crianças, divertem-se enormemente, ouvindo-a. Ela é surreal!
             Algumas histórias valem a pena ser ouvidas mais de uma vez. Outra história bastante reprisada é do Tesouro de Bresa. Ela contém mensagens de dedicação ao estudo e ao trabalho. É uma história indicada para crianças a partir de dez anos. 
             Um livro muito inspirador, com várias histórias brasileiras, é Viagem Pelo Brasil em 52 Histórias; ali encontramos um repertório variado para as contações: A Mãe d' Água, O Sapo Encantado, O Amigo da Onça, O Lobisomem, etc.
             Outros livros muito utilizados: Pode Entrar Dona Sorte , Lá Vem História, Lá vem História Outra vez, Contos de Cinco Minutos, Volta ao Mundo em 52 Histórias, 50 Histórias de Ninar, A Hora do Conto 1, Contos Tradicionais do Brasil Para Jovens, etc. Muitas histórias que contamos, muitas vezes, são de nossas vivências. Não colocamos os nomes dos autores nessa pequena lista, mas esses livros podem ser encontrados na biblioteca municipal ou pertencem ao acervo do Grupo Pirimpimpim. Além disso, cada um de nós possui um acervo particular ou familiar.

                Vamos encerrar com uma pequena história (não falamos historinha), pois toda história tem o seu encanto:

                                              O EQUILIBRISTA

                  Dois amigos ganhavam a vida, apresentando espetáculos de equilibrismo, entre dois prédios altos de uma cidade. 
                  Enquanto José andava em um cabo de aço, seu amigo João passava o chapéu entre os espectadores. Assim, eles conseguiam um bom dinheiro. Mas com o passar do tempo, as pessoas queriam mais emoção, e eles tiveram que reformular o espetáculo. José passou a andar de bicicleta, no cabo de aço. Foi emocionante! O público delirou e o dinheiro encheu o chapéu de João. 
                  Mas como o povo queria mais José falou para João:
                  _Meu amigo, para ter mais emoção, de agora em diante, eu ando na bicicleta com você no meu ombro.
                  Mas João retrucou:
                  _Sou seu amigo sim, gosto de você, confio em você, mas, tenho medo de altura! Não vou no seu ombro, não!

05 outubro 2014

LIÇÃO DE VIDA


                                               LIÇÃO DE VIDA

                Conta-se que um homem plantou uma jabuticabeira,espécie conhecida por demorar muitos anos para produzir frutos. Um rei, que passava por ali, viu a cena e lhe disse:
                _Como você é otimista! Será que você vai viver para poder saborear os frutos dessa árvore?
                _ Talvez sim, talvez não! Mas, certamente meus filhos, netos ou vizinhos poderão se beneficiar do meu trabalho, assim como nós nos beneficiamos do trabalho de nossos antepassados.
                _Gostei de sua resposta- disse o rei- e quando se produzirem os frutos, traga-me alguns, se ainda estivermos vivos, pois a morte está sempre a nossa espreita.
                O rei continuou o seu caminho, os anos se passaram e a jabuticabeira produziu os seus primeiros frutos deliciosos. O homem encheu uma grande cesta com as mais lindas jabuticabas, e foi ao palácio. O rei o recebeu com grande alegria e o felicitou pelo sucesso de seu trabalho. Deu-lhe ainda, como recompensa, um cofre cheio de reluzentes moedas de ouro.
                A notícia correu por todo o reino: o rei recompensou com moedas de ouro, um pobre lavrador, em troca de uma bacia de jabuticabas!
                Um outro lavrador, muito invejoso e ignorante, não teve dúvidas: encheu uma bacia com jabuticabas de seu quintal e foi ao palácio, dizendo aos guardas: 
                 _Trouxe minhas jabuticabas ao rei, para ter a mesma recompensa do outro lavrador. 
                 O chefe da guarda foi avisar ao rei das exigências do homem. Mas o rei ordenou:
                  _Expulsem o invejoso de minha porta! Ele imitou, sem saber o motivo, com a alma cheia de arrogância e inveja, o gesto tão nobre do outro lavrador.Ele nada merece!

03 outubro 2014

SABEDORIA ANIMAL



                                                    SABEDORIA ANIMAL

                 Certa vez, um grupo de religiosos ia para um retiro espiritual. A caminhada era longa e penosa,e todos do grupo resolveram parar à beira do caminho, para fazer uma refeição.
                  Tiraram uma toalha de uma mochila para estendê-la sobre a relva, mas o vento teimava em levantá-la. Resolveram,então, colocar pedras nas extremidades da toalha.
                  Ao mesmo tempo, apareceu ali, um cachorro vagabundo, farejando alguma comida.
                  Um dos rapazes do grupo falou:
                  _Esse cachorro vai nos trazer problemas; ele verá a comida e tentará roubá-la.
                  Mas outro rapaz falou: 
                  _ Continue colocando as pedras ao redor da toalha e verás o que acontece.
                  O cachorro cheirou as pedras, uma a uma e depois afastou-se, latindo. 
                  O chefe dos rapazes, que dizia entender a linguagem dos animais, explicou:
                   _ O cachorro disse que nós só costumamos comer pedras, e ele não tinha esperanças de comer comida de verdade.

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30 setembro 2014

SETEMBRO DE 2014


                                Setembro já se foi! O ano corre como um coelhinho assustado! Mas temos muito o que falar do mês que se passou.
                                Tivemos o prazer de receber na Sala de Contos as crianças da Emef. Prof.ª Orane Avelino de Souza, da Creche Júlio Marcondes de Moura, Emef. Prof. João Crisóstomo, Emei. Prof.ª Dinalva Peron, Emei. Irmã Josefa, de Jafa, Emef. Sílvio Sartori ( esta da zona rural de Garça), Creche Maria Leonor, Emef Prof. Edson José Puga, Emei. Marie Sofie, Emef. Prof.ª Cláudia Aronne e Emef. Hatsue Toyota, com agendamentos nos períodos da manhã ou da tarde, toda segunda-feira. Atendemos aproximadamente 650 pequenos ouvintes, que deixaram a sala de contos animadíssima em todas as sessões. 
                                Os quatro brâmanes e o leão, A menina que queria tocar as estrelas, Os três desejos, O sapo Bocarrão, Como surgiram os vaga-lumes, A Mãe d' água, O bode e a onça, O rei que queria a lua, O gato e o papagaio, A galinha Ruiva, Pinóquio, O que tem dentro de sua fralda, Eram dez girinos, O porco narigudo, O ratinho medroso foram algumas das histórias que encantaram a criançada. Como vocês sabem, as histórias contadas são de acordo com a faixa etária.
                                Assim sendo procuramos sempre diversificá-las, pois as crianças querem histórias novas.
                                Mesmo assim, muitas vezes a turminha quer repetição de alguma, já conhecida. Na história da galinha Ruiva, quase que a sala veio abaixo, com a participação da turma que veio da  Emef. Sílvio Sartori. 
                               Mais uma vez, o Grupo Pirlimpimpim agradece o empenho dos professores, em trazer seus alunos para uma atividade que estimula o gosto da leitura, fora da sala de aula.
                               Mais uma vez, também, convidamos a todos que queiram  passar algumas horas diferentes, ouvindo as nossa contações, trazendo filhos ou netos, ou simplesmente para conhecer nosso trabalho. 
                             A Sala de Contos está aberta para todos! Ficaremos felizes em recebê-los!
                              
                               




                               
                               




28 setembro 2014

AS APARÊNCIAS ENGANAM.



                                 AS  APARÊNCIAS  ENGANAM

          As histórias em forma de fábulas, trazem mensagens que demonstram que as sociedades, tanto de hoje, como de milhares de anos atrás, não mudaram quase nada, ou nada mesmo. 

                Um burro, certa vez vez, achou uma pele de leão. Imaginou que poderia fazer uso dela para pregar sustos nos distraídos que encontrasse pelo caminho.
                Não demorou muito e encontrou a primeira vítima: uma raposa. Aproximou-se dela,cautelosamente e tentou rugir como um leão.
                Mas acontece que burro não ruge, apenas zurra. E a investida do burro só serviu para a raposa dar gostosas gargalhadas e zombar do infeliz:
                _Amigo burro, não fosse pela sua voz até ficaria assustada pelo seu disfarce, mas já ouvi tantas vezes seu zurro, que só posso dizer que seria melhor que ficasse calado, e que não finja ser o que não é. 

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25 setembro 2014

INDICAÇÃO DE LEITURA


               Colaboração de Veridiana Sganzela Santos , jornalista que escreve para o jornal Comarca de Garça, toda quinta-feira, comentários sobre alguma obra literária. Desta vez, ela comentou sobre um livro de Clarice Lispector.

Indicação de Leitura - Veridiana Sganzela Santos - O grande passeio

25/09/2014

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento” - Haya Pinkhasovna Lispector (1920 - 1977)



Solidariedade e egoísmo. Respeito e pouco caso. Amor e indiferença. Antagonismos tão presentes na raça humana e que a Literatura sempre faz questão de “dedar” quando o sentimento errado se manifesta na hora errada, mostrando o quanto ainda temos que nos depurar.

Acho que nunca em outros tempos se exigiu tanto o respeito pelos outros: crianças, mulheres, retirantes, negros, deficientes, homossexuais, idosos - sempre alvos de preconceito e maus tratos. E o curioso é que temos que exigir o respeito - raramente ele vem de graça. Custa tanto assim respeitar alguém que não é exatamente igual a nós? Quando criança, era comum os pequenos até apanharem dos adultos caso faltassem com respeito com os mais velhos. No Japão há até o Dia do Idoso, quando o país interrompe tudo só para reverenciar seus ancestrais. Vivemos dizendo que os mais velhos são símbolo de sabedoria e experiência, mas na prática não levamos isso muito a sério.

Neste conto, Clarice Lispector conta sobre uma senhorinha “sequinha”, sozinha no mundo, nascida no Maranhão; foi perdendo a família aos poucos, uma “boa senhora” prometeu interná-la num asilo do Rio de Janeiro, mas mudou de planos e deixou a velha ao Deus-dará com um pouco de dinheiro. A senhorinha, Mocinha (de nome real, Margarida), acabou indo parar numa casa de família, onde às vezes riam dela, do seu jeito “bicho do mato”, mas sempre a deixavam de lado, ignorando-a a maior parte do tempo. Achavam estranho seu hábito de passear pela casa. Um dia se encheram e a mandaram para um parente em Petrópolis. O filho da família levou a velhinha de carro, e ela, inocente (como um cãozinho cujos donos prometem passeio mas o levam ao veterinário), foi admirando tudo, gostando muito do trajeto, sem imaginar que novamente estava sendo descartada. O rapaz não teve nem a delicadeza de descer com ela. Despachou a velhinha e foi embora. Lá, uma “alemoa” a recebeu com frieza. Enquanto ela e o filho se regalavam com comida, a velhinha pedia um golinho de café com os olhos, só um cafezinho. Nem isso lhe deram, apesar de sua visível fraqueza. Ao invés de disso, o dono da casa disse irritado que ali não era asilo. Deu-lhe um pouco de dinheiro e mandou-a pegar um trem de volta pro Rio.

A velhinha só teve forças para dizer “Obrigada. Deus lhe ajude” e saiu pela estrada. Não foi até a estação. Queria passear antes, pela bela estrada de Petrópolis. O sol forte batendo nos seixos brancos lhe machucavam os olhos e ela “via” seu passado como um filme. Tomou um pouco de água fresca numa fonte, sentou-se numa pedra em baixo de uma árvore, e despedindo-se do passeio, encostou a cabeça no tronco e morreu. Uma situação que até parece meio romântica pelas letras de Clarice, é uma constante por todo esse país. Quantas e quantas Mocinhas há espalhadas por aí, sendo tratadas como estorvos e morrendo sozinhas?

Creio que o morrer, para Mocinha, tenha sido seu verdadeiro grande passeio, ao livrar-se da indiferença dos outros. Indiferença que, em tempos de eleição como este, transforma-se em bondade, preocupação e bandeiras de campanha. Que país de mentirosos. Às vezes invejo muito a ignorância destas Mocinhas...