15 outubro 2014

AOS MESTRES, COM CARINHO!




                 AOS MESTRES, COM CARINHO!

               Não poderíamos deixar de prestar uma pequena homenagem aos professores, neste dia a eles dedicado.
               Sem eles, dificilmente alguém consegue sair das trevas da ignorância,
               Consideramos nossos pais, nossos primeiros mestres, porém a imagem do professor é aquela numa sala de aula, com os alunos sentados nas carteiras, atentos (ou não), uma lousa escrita, a mesa, livros, uma fruta presenteada, ou uma flor. 
              Um professor será sempre lembrado pelas suas atitudes em sala de aula, suas conversas e conselhos, seu modo de ensinar e até pelo seu sorriso.
              Essa é a lembrança dos primeiros anos na escola, mas professor é todo aquele, que em qualquer momento, ou lugar, transmite seu conhecimento, que não pode ser guardado com egoismo.
              Deus os abençoe, professores de hoje, de ontem e de amanhã!

14 outubro 2014

O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO-indicação de leitura


                                 VERIDIANA COLABORA COM O NOSSO BLOG:

                         O homem que espalhou o deserto

Não faz muito tempo, uma questão de semanas, minha mãe me pediu para que eu tirasse uma foto de duas plantas, não muito longe de casa. “Tire antes que alguém vá lá e corte”. Acho que a frase soaria exagerada para alguém de fora, mas para mim não soou estranho e sim quase profético.
É que já me habituei a ver gente tendo prazer em eliminar plantas e animais – o que é terrível, pois isso não deveria ser algo com que se deva habituar-se, mas nesse planetinha quase nada mais me impressiona.
O motivo da foto era o modo curioso, e até terno, de como as plantas nasceram. Um coqueiro e um chorão, grudados, num espaço mínimo numa calçada. Naquela circunstância, pareciam gêmeas. Ganharam até um poema.
E ainda bem que deu tempo, já que dias depois o chorão havia sumido. O coqueirinho ficou órfão de irmão. Alguém deve ter se incomodado com o atrevimento do chorão, que pendia um pouco para a rua, e que por tamanha afronta, mereceu virar um toquinho.
A rua “invadida” por suas ramas verdes não é nenhuma Avenida Paulista; tenho certeza que até aquele dia a planta não havia irritado ninguém e nem causado acidentes. Passo há tempos por ali e nunca soube de reclamação alguma. Os passarinhos que pousavam ali é que deviam se queixar do poleiro que perderam. Curioso é que só depois da publicação do poema que o chorão foi cortado.
Ainda pensando nisso, ontem descobri (e, novamente: não creio em coincidências) esse conto de Ignácio de Loyola Brandão, sobre um sujeito cujo sentido da vida era cortar plantas. Começou de menininho, desfolhando com sua tesourinha, as árvores do quintal. Mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros, jabuticabeiras: o menino não queria saber de escola, de amigos, de namoradas, de cinema. Só queria cortar as plantas. E tinha total apoio da mãe, que preferia vê-lo em casa do que por aí, andando com más companhias!
As árvores eram grandes e ele pequeno, então o trabalho não rendia muito. Mas conforme o menino foi crescendo as árvores começaram a ficar em desvantagem. As plantas de seu quintal já não bastavam. Saiu cortando as plantas do resto da cidade – e as pessoas até que gostavam, pois aproveitavam a lenha que ele deixava para trás.
Ele foi trocando as tesouras por machados, depois por tratores e depois por máquinas ainda maiores. Virou um grande empresário no ramo do desmatamento. Só sentia-se aliviado quando via a terra calcinada. Os pássaros já haviam sumido faz tempo, pois seus ninhos também eram destruídos. E o país virou um deserto. E depois, o que acontece?
O “depois” também dá para acompanhar na vida real. Eu acompanhei um caso muito parecido de perto, um caso de quintal devastado e de uma jabuticabeira (de valor sentimental incalculável) serrada sem razão.
Plantas, animais, poemas... Por que será que incomodam tanto? Eu disse que quase nada mais me impressiona, mas ainda fico tentando entender por que é que a essas alturas há quem sinta esse prazer sádico em sair tesourando plantas, chamando flores de lixo (sim, isso também já vi), chutando animais...
Não gostar disso ou daquilo é um direito de qualquer um, só que o mundo não precisa de quem o devaste. Espalhadores de desertos, guardem sua secura para si mesmos.

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Veridiana Sganzela Santos é jornalista e escreve suas crônicas no jornal Comarca de Garça, toda quinta-feira. É nossa colaboradora, dando suas indicações de leitura.
O hábito de ler é,comprovadamente, muito saudável! 

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11 outubro 2014

UMA HISTÓRIA DE NASRUDIN


                                    UMA HISTÓRIA DE NASRUDIN

               Acredita-se que Nasrudin foi um filósofo e sábio populista, lembrado por suas histórias engraçadas. Ele viveu e morreu durante o século XIII, na atual Turquia. Aparece em milhares de histórias, onde às vezes é espirituoso, em outras é sábio, tolo ou o alvo de piadas. O humor sutil e  natureza pedagógica são comuns em suas histórias. Conheçam uma delas:

                                 PEQUENO DETALHE

              Um rei tirânico, já maltratado pela idade, estava, certo dia, com mais mal humor do que de costume. Exigia que alguém fizesse ou dissesse qualquer coisa para entretê-lo, sob pena de castigar a todos os que viviam no palácio. O pavor apoderou-se de todas as pessoas que ali estavam, menos de Nasrudin, que imediatamente deu um passo à frente e disse:
              _Majestade, não precisa cortar a cabeça de ninguém. Eu farei algo que o deixará surpreso.
              _E o que você fará?
              _Bem, eu posso ensinar um burro a ler e escrever!
              _Pois faça isso, ou eu o esfolarei vivo.
Resultado de imagem para NASRUDIN
              _ Posso fazê-lo, mas com uma condição: isso me tomará dez anos.
              _Muito bem, estou curioso e lhe concedo os dez anos.
              O tirano retirou-se para os seus aposentos e, Nasrudin viu-se cercado por todos da corte, espantados com a proposta.
              _É verdade mulá, que você pode ensinar um burro a ler e escrever?
              _Não, respondeu Nasrudin.
              _Pois então, como você poderá viver esse próximos dez anos, com a possibilidade de ser esfolado vivo? Que loucura! Você não terá paz, apenas tensão e ansiedade.
              _Meus amigos, vocês estão esquecendo um pequeno detalhe, mas de muita importância- disse o mulá. Eu tenho oitenta anos. O rei tem setenta e cinco. Nesses dez anos tudo pode acontecer: o rei pode morrer, eu posso morrer ou outros fatos entrarão na história. Portanto, não nos afobemos com o futuro.

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09 outubro 2014


                                       TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

                  Um leão dormia sossegadamente, quando foi acordado por um ratinho, que distraído, passou correndo pelo seu nariz. Rapidamente o leão saltou e segurou o ratinho entre suas garras, disposto a devorá-lo. Mas o ratinho suplicou:
                   _Poupe minha vida, meu senhor! Tenho certeza que algum dia poderei retribuir sua bondade!
                   O leão deu uma gargalhada de desprezo e soltou o ratinho.
                   Dias depois, o leão andava calmamente pela floresta, quando foi apanhado numa rede, ali deixada por caçadores, que logo o amarraram com fortes cordas. O leão urrou muito, mas nada pode fazer para soltar-se. 
                   Mas o ratinho ouviu seus urros e chegou até onde o leão estava prisioneiro. Com persistência começou a roer as cordas que prendiam o leão e o libertou, dizendo:
                   _O senhor achou que eu jamais poderia ajudá-lo, e veja só como pude retribuir a sua bondade, numa situação tão difícil. Agora estamos quites!

07 outubro 2014

HISTÓRIAS QUE GOSTAMOS DE CONTAR



                                   HISTÓRIAS QUE GOSTAMOS DE CONTAR:

            Quando recebemos a planilha do mês, indicando as classes agendadas para as sessões de contos, já ficamos pensando quais serão as histórias mais indicadas, para cada faixa etária. Normalmente temos um repertório diversificado, mas, às vezes gostamos tanto de uma história, que ela torna-se um coringa nas contações. Uma história que tem sido muito repetida é a do Gato e do Papagaio. Ela pode ser encontrada no Livro das Virtudes, que contém centenas de boas histórias para todos os gostos e idades. Marisa é especialista em contá-la.  As crianças, e as não tão crianças, divertem-se enormemente, ouvindo-a. Ela é surreal!
             Algumas histórias valem a pena ser ouvidas mais de uma vez. Outra história bastante reprisada é do Tesouro de Bresa. Ela contém mensagens de dedicação ao estudo e ao trabalho. É uma história indicada para crianças a partir de dez anos. 
             Um livro muito inspirador, com várias histórias brasileiras, é Viagem Pelo Brasil em 52 Histórias; ali encontramos um repertório variado para as contações: A Mãe d' Água, O Sapo Encantado, O Amigo da Onça, O Lobisomem, etc.
             Outros livros muito utilizados: Pode Entrar Dona Sorte , Lá Vem História, Lá vem História Outra vez, Contos de Cinco Minutos, Volta ao Mundo em 52 Histórias, 50 Histórias de Ninar, A Hora do Conto 1, Contos Tradicionais do Brasil Para Jovens, etc. Muitas histórias que contamos, muitas vezes, são de nossas vivências. Não colocamos os nomes dos autores nessa pequena lista, mas esses livros podem ser encontrados na biblioteca municipal ou pertencem ao acervo do Grupo Pirimpimpim. Além disso, cada um de nós possui um acervo particular ou familiar.

                Vamos encerrar com uma pequena história (não falamos historinha), pois toda história tem o seu encanto:

                                              O EQUILIBRISTA

                  Dois amigos ganhavam a vida, apresentando espetáculos de equilibrismo, entre dois prédios altos de uma cidade. 
                  Enquanto José andava em um cabo de aço, seu amigo João passava o chapéu entre os espectadores. Assim, eles conseguiam um bom dinheiro. Mas com o passar do tempo, as pessoas queriam mais emoção, e eles tiveram que reformular o espetáculo. José passou a andar de bicicleta, no cabo de aço. Foi emocionante! O público delirou e o dinheiro encheu o chapéu de João. 
                  Mas como o povo queria mais José falou para João:
                  _Meu amigo, para ter mais emoção, de agora em diante, eu ando na bicicleta com você no meu ombro.
                  Mas João retrucou:
                  _Sou seu amigo sim, gosto de você, confio em você, mas, tenho medo de altura! Não vou no seu ombro, não!

05 outubro 2014

LIÇÃO DE VIDA


                                               LIÇÃO DE VIDA

                Conta-se que um homem plantou uma jabuticabeira,espécie conhecida por demorar muitos anos para produzir frutos. Um rei, que passava por ali, viu a cena e lhe disse:
                _Como você é otimista! Será que você vai viver para poder saborear os frutos dessa árvore?
                _ Talvez sim, talvez não! Mas, certamente meus filhos, netos ou vizinhos poderão se beneficiar do meu trabalho, assim como nós nos beneficiamos do trabalho de nossos antepassados.
                _Gostei de sua resposta- disse o rei- e quando se produzirem os frutos, traga-me alguns, se ainda estivermos vivos, pois a morte está sempre a nossa espreita.
                O rei continuou o seu caminho, os anos se passaram e a jabuticabeira produziu os seus primeiros frutos deliciosos. O homem encheu uma grande cesta com as mais lindas jabuticabas, e foi ao palácio. O rei o recebeu com grande alegria e o felicitou pelo sucesso de seu trabalho. Deu-lhe ainda, como recompensa, um cofre cheio de reluzentes moedas de ouro.
                A notícia correu por todo o reino: o rei recompensou com moedas de ouro, um pobre lavrador, em troca de uma bacia de jabuticabas!
                Um outro lavrador, muito invejoso e ignorante, não teve dúvidas: encheu uma bacia com jabuticabas de seu quintal e foi ao palácio, dizendo aos guardas: 
                 _Trouxe minhas jabuticabas ao rei, para ter a mesma recompensa do outro lavrador. 
                 O chefe da guarda foi avisar ao rei das exigências do homem. Mas o rei ordenou:
                  _Expulsem o invejoso de minha porta! Ele imitou, sem saber o motivo, com a alma cheia de arrogância e inveja, o gesto tão nobre do outro lavrador.Ele nada merece!

03 outubro 2014

SABEDORIA ANIMAL



                                                    SABEDORIA ANIMAL

                 Certa vez, um grupo de religiosos ia para um retiro espiritual. A caminhada era longa e penosa,e todos do grupo resolveram parar à beira do caminho, para fazer uma refeição.
                  Tiraram uma toalha de uma mochila para estendê-la sobre a relva, mas o vento teimava em levantá-la. Resolveram,então, colocar pedras nas extremidades da toalha.
                  Ao mesmo tempo, apareceu ali, um cachorro vagabundo, farejando alguma comida.
                  Um dos rapazes do grupo falou:
                  _Esse cachorro vai nos trazer problemas; ele verá a comida e tentará roubá-la.
                  Mas outro rapaz falou: 
                  _ Continue colocando as pedras ao redor da toalha e verás o que acontece.
                  O cachorro cheirou as pedras, uma a uma e depois afastou-se, latindo. 
                  O chefe dos rapazes, que dizia entender a linguagem dos animais, explicou:
                   _ O cachorro disse que nós só costumamos comer pedras, e ele não tinha esperanças de comer comida de verdade.

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